Fã de Chaplin, amigo de Fellini e fonte de
inspiração para a geração de realizadores responsáveis por fazer da Bahia um
polo produtor de filmes no fim dos anos 1950, Jorge Amado já serviu como
matéria-prima para 17 longas-metragens, que nele buscavam tanto alegorias
místicas do imaginário afro-baiano quanto o olhar realista para o cotidiano dos
desvalidos. De sua obra literária saíram desde um blockbuster como "Dona
Flor e seus dois maridos" (1976), que por 34 anos foi o maior fenômeno
brasileiro de bilheteria, até um cult como "Tenda dos milagres", que
levou Nelson Pereira dos Santos à disputa pelo Urso de Ouro no Festival de
Berlim de 1977. Na medida para a narrativa audiovisual, com sua riqueza
descritiva, a prosa de Amado vem sendo adaptada para a telona no Brasil e no
exterior desde 1948, quando Anselmo Duarte (1920-2009) estrelou "Terra
violenta".
-
Jorge foi um cronista do comportamento humano. E seu poder único de observação
é a maior contribuição de sua obra à linguagem cinematográfica - diz Bruno Barreto,
que assumiu a direção de "Dona Flor e seus dois maridos" aos 21 anos,
depois que Glauber Rocha (1939-1981), primeiro cineasta atrelado ao projeto,
não pôde dirigir o filme.
Hoje
esquecido, "Terra violenta" iniciou o namoro do cinema com Amado.
Produzido pela Atlântida Cinematográfica, com base no livro "Terras do sem
fim", o drama dirigido por Edmond F. Bernoudy e Paulo Machado abriu um
veio que atraiu de cinemanovistas como Cacá Diegues ("Tieta do
Agreste") a revelações da Retomada como Sérgio Machado ("Quincas
Berro d'Água"), que batizou seu filho de Jorge em tributo ao escritor.
-
Quando exibi meu primeiro longa, "Cidade Baixa", de 2005, na França,
muitos críticos definiram o filme como uma releitura contemporânea da Bahia de
Jorge Amado, ainda que ele fosse um roteiro original meu e do Karim Aïnouz -
diz Machado. - Jorge foi um dos fundadores do imaginário brasileiro na arte.
À
força do êxito dos romances de Amado no exterior, cineastas estrangeiros também
foram atraídos pelo aroma de suas especiarias , a começar pelo português José
Leitão de Barros (1896-1967), que filmou "Vendaval maravilhoso"
(1949) com base no livro "ABC de Castro Alves". Em seguida, veio o
americano Hall Bartlett (1922-1993), que lançou "The sandpit generals"
(1971), com base em "Capitães da areia". Houve ainda o francês Marcel
Camus (1912-1982), ganhador da Palma de Ouro por "Orfeu negro"
(1959). Ele encerrou sua trajetória em tela grande levando "Os pastores da
noite" (1964) às salas de exibição, em 1979.
Hollywood
não ficou indiferente aos 10.735.524 ingressos vendidos por "Dona Flor e
seus dois maridos". Depois que o triângulo amoroso entre Florípedes (Sonia
Braga), Teodoro (Mauro Mendonça) e o espírito zombeteiro Vadinho (José Wilker)
concorreu ao Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro, o produtor Keith Barish
convocou o diretor Robert Mulligan (1925-2008) para rodar um remake do longa
brasileiro: "Meu adorável fantasma" ("Kiss me goodbye",
1982). Sally Field, James Caan e Jeff Bridges estrelaram a refilmagem, que não
deu lucro.
-
Nunca vi a versão americana - diz Barreto, que em 1983 filmou (sem êxito)
"Gabriela, cravo e canela", tendo Sonia Braga e Marcello Mastroianni
em cena.
Na
ficção, a última adaptação do escritor a estrear foi "Capitães da
areia" (2011), de sua neta Cecilia Amado. Atualmente, Marcos Jorge
finaliza "As fantásticas aventuras de um capitão" baseado em "Os
velhos marinheiros".
-
A capacidade de ser sofisticado e ao mesmo tempo acessível é uma lição que o
cinema tem a aprender com Amado - diz o paranaense Marcos Jorge.
Nos
documentários, o autor de "Jubiabá" (filmado por Nelson Pereira em
1986) inspirou filmes de Fernando Sabino, João Moreira Salles e Glauber Rocha,
que serão exibidos de 7 a 12 de agosto, na Caixa Cultural na mostra Jorge
Amado.
Fonte: http://br.noticias.yahoo.com
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