No mês em que o escritor baiano Jorge Amado completaria 100
anos, a cidade que inspirou seus livros prepara uma festa que, segundo seus
organizadores, receberá meio milhão de pessoas. Batizado de “Amar Amado”, o
festival de Ilhéus será realizado entre os dias 4 e 12 de agosto e promete uma
experiência para aguçar os sentidos do público através da obra do autor.
A programação inclui a revitalização do quarteirão em que o
escritor viveu, no centro histórico da cidade. Ali, haverá shows de Caetano
Veloso e Margareth Menezes, além de peças de teatro e adaptações
cinematográficas de suas obras. Os restaurantes oferecerão pratos temáticos
baseados no paladar do artista, que sempre descreveu sabores com detalhes em
seus textos.
“Você vai sentir Amado, beber Amado, ouvir Amado”, define
Patricia Bim, uma das organizadoras do evento. “A importância de Ilhéus na
carreira de Jorge Amado está nas obras dele. Foi lá que ele começou a escrever.
Estamos celebrando as memórias de sua infância e sua vida na cidade”, explica.
Uma feira de livros dará conta de discutir clássicos como
“Capitães de Areia”, “Quincas Berro D’Água” e “Gabriela” - a novela será
lançada pela Globo na cidade como parte das comemorações do centenário. Em
casarões antigos, Sônia Braga, José Wilker e atores que já viveram seus
personagens farão leituras de poemas e trechos de livros nas janelas.
“Ao todo serão oito dias de evento, com uma grande atração para
cada dia”, explica Brim. “É um festival gratuito com cultura o dia inteiro. A
ideia é que ele seja realizado por pelo menos mais três anos”, diz.
Comemoração do centenário já
começou em São Paulo
São Paulo também tem sua própria homenagem ao autor baiano. A
exposição “Jorge Amado e Universal”, que segue no Museu da Língua Portuguesa
até 22 de julho, reúne obras do artista em um ambiente interativo. Logo na
entrada, nomes de cinco mil personagens criados por Amado são estampados nas
tradicionais fitinhas do Senhor do Bonfim.
O sincretismo religioso do autor é representado por caixas de
feira que abrigam diferentes estátuas de entidades do candomblé, entre elas
Exú, que dá nome à revista que ele editou até 1997. Os trechos eróticos dos
livros do autor são espiados pelo público em uma sala iluminada por letreiros
de neón com nomes de famosos bordéis baianos.
Uma sala com espelhinhos laranjas mostram suas fotos, capas de
revistas, certificações e cartas de amigos, como Monteiro Lobato e Carlos
Drummond de Andrade.
A trajetória do autor até sua morte, aos 88 anos, em 2001,
também tem espaço na exposição, que é encerrada com as capas de “Gabriela”
publicadas em diversas línguas. Depois de São Paulo, a mostra segue para a
Bahia, e será exibida durante as festividades.
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