Foi
viajando pelo interior da região Nordeste e, sobretudo da Bahia que Jorge Amado
criou personagens masculinos que ficaram para sempre na memória e na literatura
como Antonio Balduíno, Vadinho, Pedro Arcanjo e Quincas Berro D'água.
Personagens saídos do povo e apreendidos pela ficção realista
do escritor, através da caricaturagem de
tipos folclóricos como o malandro, o espertalhão, o honesto, o imbecil, o
preguiçoso, o sedutor, o mulherengo, o jogador, o moralista.
Foi
observando as negras e mulatas do terreiro de Menininha do Gantois, em
Salvador; as prostitutas do Largo do Pelourinho; as lavadeiras das calçadas do
Senhor do Bonfim ou as jovens burguesas descendentes direitas dos coronéis do
cacau da região de Santo Amaro, Ilhéus e Itabuna que Jorge Amado criou uma
galeria de tipos femininos inesquecíveis que mistura força, coragem,
sensualidade, sabedoria, beleza e poder.
Gabriela (Cravo e Canela), Tieta (a do Agreste), Dona Flor (e os seus dois maridos), Teresa Batista (cansada de guerra), Adalgisa (quadris afro) e Manela (a de Yansã). Mulheres fogosas, queimadas de sol, ancas
cheias, sorriso farto, lábios sensuais. Em cada uma delas, o escritor expressa
uma faceta da mulher nordestina e uma moral diferente, conforme a própria vida
lhe ensina: o sofrimento da sobrevivência, a dupla jornada de trabalho, o
desrespeito dos homens, o cuidado estremado com os filhos, a vontade de viver e
de amar, a leveza e a liberdade com que se entregam ao prazer da carne.
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