quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Ser Professora de Português

01 - Professora de português não nasce; deriva-se.
02 - Professora de português não cresce; vive gradações.
03 - Professora de português não se movimenta; flexiona-se.
04 - Professora de português não é filha de mãe solteira; resulta de uma derivação imprópria.
05 - Professora de português não tem família; tem parênteses.
06 - Professora de português não envelhece; sofre anacronismo.
07 - Professora de português não vê tv; analisa o enredo de uma novela.
08 - Professora de português não tem dor aguda; tem crônica.
09 - Professora de português não anda; transita.
10 - Professora de português não conversa; produz texto oral.
11 - Professora de português não fala palavrão; profere verbos defectivos.
12 - Professora de português não se corta; faz hiato.
13 - Professora de português não grita; usa vocativos.
14 - Professora de português não dramatiza; declama com emotividade.
15 - Professora de português não se opõe; tem problemas de concordância.
16 - Professora de português não discute; recorre a proposições adversativas.
17 - Professora de português não exagera; usa hipérboles.
18 - Professora de português não compra supérfluos; possui termos acessórios.
19 - Professora de português não fofoca; pratica discurso indireto.
20 - Professora de português não é frágil; é átona.
21 - Professora de português não fala demais; usa pleonasmos.
22 - Professora de português não se apaixona; cria coesão contextual.
23 - Professora de português não tem casos de amor; faz romances.
24 - Professora de português não se casa; conjuga-se.
25 - Professora de português não depende de ninguém; relaciona-se a períodos por subordinação.
26 - Professora de português não tem filhos; gera cognatos.
27 - Professora de português não tem passado; tem pretérito mais-que-perfeito.
28 - Professora de português não rompe um relacionamento; abrevia-o.
29 - Professora de português não foge a regras; vale-se de exceções.
30 - Professora de português não é autoritária; possui voz ativa.
31 - Professora de português não é exigente; adota a norma padrão.
32 - Professora de português não erra; recorre a licença poética.

Entrevista Professora Patrícia Argolo



O Eletracidade realizou uma entrevista muito interessante com a Professora Patrícia Argôlo. 

Patrícia Argôlo possui graduação em Letras pela Universidade Estadual de Santa Cruz (1990), especialização em Língua Inglesa pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (1995), especialização em Cenários e Perspectivas do Rádio e Televisão na Era Telemática (1998), e mestrado em Master of Arts in TESOL pela New Mexico State University/ USA (2001). Atualmente é professora assistente da Universidade Estadual de Santa Cruz. Tem experiência na área de Letras e Línguas Estrangeiras Aplicadas às Negociações Internacionais, atuando principalmente nos seguintes temas: Língua Inglesa, Inglês para Fins Específicos (profissionais do turismo), Seleção Pública e Vestibular.

Eletracidade:  A senhora formou em Letras, em que ano?
 Patrícia Argôlo: 1990.
Eletracidade:   Fale um pouco sobre a sua carreira, os cursos que fez, a área de estudos a que se dedica...
           Após a minha formatura em maio de 1990, eu tive a oportunidade de viajar para a Inglaterra. Morei dois anos em Oxford/Inglaterra. Estudei Inglês em duas escolas para estrangeiros, a saber: Anglo World e Oxford College of further Education. Eu, também, tive a oportunidade de estudar com uma tutora. Quando retornei da Inglaterra, em outubro de1992, eu fui convidada a lecionar na UESC.
           Em 1995 fiz a minha primeira especialização: Especialização em Língua Inglesa pela PUC de Minas Gerais.
           Em 1998 fiz minha segunda especialização em rádio e TV: Cenários e Perspectivas do Rádio e Televisão na Era Telemática na UESC.
           Em 1999 fiz o mestrado em Master of Arts inTESOL pela New Mexico State University – NMSU/EUA
           Meus estudos se concentram em 2 áreas, a saber:Inglês para Fins Específicos  ( English for Specific Purpose – ESP) e Formação de Professor.
Eletracidade: Como foi tornar-se professora do Curso de Letras, isto é a transição entre ser aluna do curso e tornar-se uma profissional?
 Patrícia Argôlo: Eu sempre comento com meus alunos sobre a importância do Estágio Supervisionado. O Estágio foi importantíssimo para a transição aluna-professora. A minha experiência no estágio foi muito gratificante. Essa experiência positiva contribuiu para a minha decisão de aceitar o convite de trabalhar como professora. Tornar-se professor é desafiador. Primeiramente, você precisa querer Ser professor, pois o querer faz você trabalhar em prol do objetivo que se quer alcançar; Segundo, você precisa acreditar no seu potencial e acreditar que nada é impossível quando existe dedicação, persistência e força de vontade. Eu queria Ser professora e acreditava que podia fazer algo tão importante que é lecionar. Acredito que quando lecionamos nós ajudamos a transformar as vidas dos nossos alunos.
 Eletracidade: Que comparações a senhora faz do perfil do estudante de Letras do seu tempo e do de hoje?
  Patrícia Argôlo: Acredito que independentemente da época, nós vamos encontrar o aluno que escolhe o Curso de Letras como primeira opção, e, consequentemente, se dedica, estuda mais, pois está motivado. Em contrapartida, encontramos, também, o aluno que não sabe ao certo o que pretende estudar, e/ou não se encontra no curso, com isso, facilmente se desmotiva. Geralmente este aluno fica na angústia de saber o que realmente quer fazer. Com isso, observa-se um aluno que faz uma licenciatura, mas não quer ensinar.
Eletracidade: Quais as principais recordações que a senhora tem do funcionamento do curso, dos colegas e dos professores?
  Patrícia Argôlo: Recordo com muito carinho do tempo que estudei. Fiz o curso que queria. Eu tive a oportunidade de estudar com Professores, ou melhor, dizer: MESTRES competentes, responsáveis e dedicados. Exemplos que procuro seguir todas as vezes que entro em uma sala de aula.

Eletracidade: Relembre um pouco das principais conquistas operadas no Curso de Letras na época.
  Patrícia Argôlo: A principal conquista foi a estadualização. Passamos de Federação de Escolas (FESPI) para Universidade (UESC). Isso significou grandes avanços e novas perspectivas para o Curso de Letras.
Eletracidade: Como era a pesquisa e a extensão no Curso de Letras?
 Patrícia Argôlo: Eu fiz a minha graduação na antiga FESPI – Federação das Escolas Superiores de Ilhéus e Itabuna. Lembro-me que como Federação não existia o incremento de  aporte de recursos que temos hoje nas áreas de extensão e pesquisa. Por exemplo, as monitorias, grupos de estudo e participação em ações de pesquisa, como as desenvolvidas pela professora Tica Simões, eram feitas voluntariamente.
Eletracidade: Como era o ensino/aprendizagem de língua estrangeira no Curso?
Patrícia Argôlo: Quanto ao ensino de Língua Inglesa, lembro que estudávamos segundo teorias de cunho estruturalista. Quanto à aprendizagem, observo que na minha época de estudante não existia o acesso à informação como existe hoje. Não existia o computador, nem a Internet. Os cursos particulares de Línguas Estrangeiras eram caros. Não existiam programas de intercâmbio. Não existia o Projeto do Governo Federal de Internacionalização das universidades. Hoje, o aluno de Letras só não aprende a Língua Estrangeira se ele (a), realmente, não quiser, pois a Internet disponibiliza diversos cursos com áudio e contato com nativos da língua alvo. A universidade, através do Curso de Letras e seus projetos de extensão e do Fullbright, oferece cursos com profissionais competentes e nativos da língua alvo.    

Eletracidade: Qual era a relação entre o corpo discente e docente da época?
Patrícia Argôlo: De muito respeito e admiração.

Eletracidade: Qual a importância do Curso de Letras para a nossa região e as perspectivas que ele assume?
Patrícia Argôlo: Segundo informações da Página do Departamento de Letras e Artes da UESC ,
“... O Curso de Letras forma professores para o ensino básico e para o ensino superior, tornando-os aptos a lecionar disciplinas constantes na sua grade curricular. Pela sua formação, esses profissionais poderão atuar também como tradutores, intérpretes, guias turísticos e revisores.”
Em outras palavras, o Curso de Letras é responsável pelos
-Profissionais que atuarão no Ensino Básico e Superior da nossa Região;
-Profissionais competentes que, por sua vez, irão contribuir para a formação de cidadãos pensantes e críticos;
-Profissionais que possam contribuir para o desenvolvimento da Região.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Jornal Grapiúba


O jornal dos alunos de Letras da UESC foi lançado em periódico trimestral organizado e editado pelo Centro Acadêmico de Letras Professor  Ruy Póvoas  com apoio do Colegiado de Letras. O periódico tem a proposta inovadora de divulgar informações sobre o Curso de Letras e seu funcionamento, bem como as ações estudantis.
       Conversamos com o Editor e Redator,  Gabriel Nascimento, sobre o Grapiúba.
 Eletracidade: Como surgiu a ideia do Grapiúba ?
Gabriel Nascimento: Um projeto meu e de Tatiane para o blog. Montamos um projeto , e conversando com a Professora Adélia,  ela me deu sinal verde para o jornal.
Eletracidade:O foco das noticias é somente a Uesc ou assuntos diversificados do mundo acadêmico?
Gabriel Nascimento: Somente a Uesc , com temas diversos desde artigos até noticias.
Eletracidade: Quem tiver sugestões , assuntos pertinentes tem como mandar , opinar ou vocês já tem um grupo responsáveis para coleta de material?
Gabriel Nascimento: Todas as matérias, noticias,, tudo deve ser enviado para o  email do CAL.(Centro Acadêmico de letras)
 Link para acesso online do Jornal. http://issuu.com/gabrieluesc/docs/grapiuba

"Tudo que vicia começa com C"


Há momentos na vida de um ser humano em que ele se vê sem nada realmente interessante pra fazer. Assim, sem companhia, computador ou iPod e com celular fora de serviço, numa viagem de ônibus para Cruz Alta, fui obrigado a me divertir com os meus próprios pensamentos. Por alguma razão que ainda desconheço, minha mente foi tomada por uma ideia um tanto sinistra: vícios.
Refleti sobre todos os vícios que corrompem a humanidade. Pensei, pensei e, de repente, um insight: tudo que vicia começa com a letra c! De drogas leves a pesadas, bebidas, comidas ou diversões, percebi que todo vício curiosamente iniciava com cê.
Inicialmente, lembrei do cigarro que causa mais dependência que muita droga pesada. Cigarro vicia e começa com a letra c. Depois, lembrei das drogas pesadas: cocaína, crack e maconha. Vale lembrar que maconha é apenas o apelido da cannabis sativa que também começa com cê.
Entre as bebidas super populares há a cachaça, a cerveja e o café. Os gaúchos até abrem mão do vício matinal do café mas não deixam de tomar seuchimarrão que também – adivinha – começa com a letra c.
Refletindo sobre este padrão, cheguei à resposta da questão que por anos atormentou minha vida: por que a Coca-Cola vicia e a Pepsi não? Tendo fórmulas e sabores praticamente idênticos, deveria haver alguma explicação para este fenômeno. Naquele dia, meu insight finalmente revelara a resposta. É que a Coca tem dois cês no nome enquanto a Pepsi não tem nenhum. Impressionante, hein?
E o chocolate? Este dispensa comentários. Vícios alimentares conhecemos aos montes, principalmente daqueles alimentos carregados com sal e açúcar. Sal écloreto de sódio. E o açúcar que vicia é aquele extraído da cana.
Algumas músicas também causam dependência. Recentemente, testemunhei a popularização de uma droga musical chamada “créeeeeeu”. Ficou todo o mundo viciadinho, principalmente quando o ritmo atingia a velocidade…cinco.
Nesta altura, você pode estar pensando: sexo vicia e não começa com a letra c. Pois você está redondamente enganado. Sexo não tem esta qualidade porque denota simplesmente a conformação orgânica que permite distinguir o homem da mulher. O que vicia é o “ato sexual”, e este é denominado coito.
Pois é. Coincidências ou não, tudo que vicia começa com cê. Mas atenção: nem tudo que começa com cê vicia. Se fosse assim, estaríamos salvos pois a humanidade seria viciada em Cultura.
(Luís Fernando Veríssimo)

Sintaxe à Vontade - O Teatro Mágico


Sem horas e sem dores,
Respeitável público pagão,
Bem-vindos ao teatro magico.

A partir de sempre
Toda cura pertence a nós.
Toda resposta e dúvida.
Todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser,
Todo verbo é livre para ser direto ou indireto.
Nenhum predicado será prejudicado,
Nem tampouco a frase, nem a crase, nem a vírgula e ponto final!
Afinal, a má gramática da vida nos põe entre pausas, entre vírgulas,
E estar entre vírgulas pode ser aposto,
E eu aposto o oposto: que vou cativar a todos
Sendo apenas um sujeito simples.
Um sujeito e sua oração,
Sua pressa, e sua verdade, sua fé,
Que a regência da paz sirva a todos nós.
Cegos ou não,
Que enxerguemos o fato
De termos acessórios para nossa oração.
Separados ou adjuntos, nominais ou não,
Façamos parte do contexto da crônica
E de todas as capas de edição especial.
Sejamos também o anúncio da contra-capa,
Pois ser a capa e ser contra a capa
É a beleza da contradição.
É negar a si mesmo.
E negar a si mesmo é muitas vezes
Encontrar-se com Deus.
Com o teu Deus.

Sem horas e sem dores,
Que nesse momento que cada um se encontra aqui e agora,
Um possa se encontrar no outro,
E o outro no um...
Até por que, tem horas que a gente se pergunta:
Por que é que não se junta
Tudo numa coisa só?

Nosso Português e suas variações!







Quem também faz Letras...

Estes são alguns dos funcionários da UESC, que nos acompanham diariamente, e portanto, também fazem Letras!

Colegiado de Letras e Artes

"Lelê da Cantina" ou Aroeudes, do Pavilhão Adonias Filho. Ele viu muitas gerações de estudantes de Letras. 
Mateus do Departamento de Letras e Artes

Você Sabia?


Cuidado com a Interpretação!


"Protesto" de Saramago

JOSÉ SARAMAGO (1922- 2010) foi o único escritor em Língua Portuguesa a ganhar um prêmio Nobel de Literatura conquistado em 1998.

"Ler também é um exercício!"


Ler é um hábito saudável que faz o leitor viajar no tempo e no espaço, faz sorrir, chorar, e, principalmente, faz sonhar e tudo realizar. Descubra na leitura o quanto você pode crescer, ser livre e que pode o mundo conquistar. Por meio da leitura se pode dar a volta ao mundo sem sair do lugar; se pode conquistar todos os seus ideais, todos os seus sonhos. Pratique o hábito da leitura.

Gírias Antigas



Bacana - Algo legal ou alguém gente boa. Pode ser também alguém esnobe, no sentido "metido a bacana" (gíria antiga, mas ainda usada atualmente).

Cafundéu do Judas ou cafundó do Judas - Muito longe. Semelhante a: "Onde Judas Perdeu As Botas", "Onde O Vento Faz A Curva".

Lá pros Cafundó - Muito longe, distante.

Dindin - Dinheiro, grana. Usava-se também: "Tutu", "Prata", "Conto de Réis", "Conto", Réis" (gíria antiga, mas ainda usada atualmente).

Ora bolas - Algo como "ora pois". Usado quando algo inusitado acontece.

O quinto dos infernos - Lugar muito longe. O mesmo que "Onde o Diabo Perdeu as Botas".

Tempo da onça - Algo antigo.

Patavinas - Nada. O mesmo que "Porcaria nenhuma", "Bolhufas alguma", "Nadica de nada", "Necas de Pitibiriba".

Broto - Menino(a) novo(a) ou menino(a) bonito(a).

Belezura - Algo ou alguém muito bonito. Usava-se para referir-se a uma mulher formosa.

Beleza pura - Algo muito bom de se ter ou se ver.

Tirar as barbas de molho - Mover-se. Dito para alguém que está há muito tempo parado.

Botar as barbas de molho - Sossegar, parar definitivamente, aposentar-se, preparar-se para o que irá acontecer.

Dedéu - Utilizado como adjunto adverbial de intensidade em conjunto com o adjunto adverbial "bom", como na expressão: "bom pra dedéu".

Serelepe - Alguém agitado, safado, perspicaz, esperto.

Caramba! - Expressão de espanto ou surpresa, no mesmo sentido de "Poxa vida!". Usa-se também "Carácoles!" ou "Caracas!" — ainda é usada hoje em dia.

Matar cachorro a grito - Fazer algo inacreditável, aterrorizar.

É dose pra (elefante, leão ou cachorro) - Algo forte e rápido. Algo difícil e indignante de se fazer. O mesmo que "É fogo!"

Está Tinindo - Noção de intensidade. Algo como "está brilhando", "está limpinho".

Na capa da gaita - Cheio de coisas para fazer. O mesmo que "Com a corda no pescoço" e "Atolado até o S".

Estapafúrdio - Algo bizarro, esquisito.

Amigo da onça - Traidor. Pessoa ao qual se dá confiança e que, cedo ou tarde, por algum motivo de interesse pessoal, te apunhala de certa forma por trás.

Parada dura - Algo difícil de se realizar.

Está pensando que berimbau é gaita? - O mesmo que falar: "Ficou louco?"

Chorumelas - Choro desnecessário, inventado; frescura.

Fedelho - Criança, pessoa infantil, pentelho.

Arrebentar a boca do balão - Fazer escarcéu, barulho; chamar a atenção.

Passar a Batata Quente - Livrar-se de um problema, fazendo com que outro o assuma.

Batata - Algo fácil. Por exemplo: "Andar de bicicleta é batata". Também pode ser utilizada para sugerir que uma coisa "é certa". Por exemplo: "Proceda desse modo e é batata: você conseguirá o que quer!".

Será o Benedito? - O mesmo que "Será possível?"

Macacos me mordam! - Expressão de espanto diante de algo inacreditável. Bordão do personagem "Popeye".

Pela Madrugada! - O mesmo que "Pelo Amor de Deus!"

Pelas barbas do profeta! - Expressão de espanto diante de algo surpreendente, "Fim da picada". Algo inconcebível. Absurdo.

Supimpa - Algo bom, legal.

Toró - Tempestade, chuva forte. Usado na expressão: "Vai cair um toró!"

Bicho do céu - O mesmo que "Meu Deus do Céu!" ou "Macacos me Mordam!".

Fidumégua ou fidumaégua - (vulgar) "Filho de uma égua". Utilizada para xingar uma pessoa ofendendo-lhe a mãe. O mesmo que "FDP". Vocábulo de origem nordestina.

Patota - Turma de amigos.

Barbaridade - Expressão de espanto e inconformação, diante de algo surpreendente, parecida com "Creed en Dios Padre".
É de lascar - Situação complicada.

Sem choro e nem vela - Expressão usada como negação a um pedido ou também para incentivar ou animar alguém diante de uma situação adversa.

Tapa na macaca - Trago em cigarro de maconha.

Tapa na pantera - O mesmo que "tapa na macaca".

Zabelê? - Tudo (bem, certo, bom, jóia)? O mesmo que "Beleza?"

Duro na queda - Intransigente, que não abre mão, teimoso, difícil de tratar.

Trinques - Usado na expressão: "manter tudo nos trinques", para designar "manter tudo nos devidos conformes."

Trumbicar - Usado na expressão: "quem não se comunica se trumbica (ou instrumbica)". Significa "Dar-se muito mal".

Trombada - O mesmo que batida, ou acidente de carro.

Cambada - Gangue, grupo de pessoas mal vistas. "Trupe".

Mocorongo - (sentido vulgar) Idiota, tolo, burro, bobo, retardado.

Maloqueiro - Indigente, mendigo. Muito usado ainda no futebol para designar jogador vagabundo, cachaceiro, baladeiro, que faz corpo-mole em partidas.

Lero-lero - Conversa chata onde se perde tempo ou tenta-se enganar alguém. Expressões semelhantes: "Papo para Boi Dormir", "Papo Furado", "Conversa Fiada", "Conversa Mole".

Xispa - O mesmo que "Sai fora". Usado na expressão: "Xispa já daqui", para designar a expulsão de um lugar ou o afastamento de algo ou alguém inconveniente por perto.

Pega pra capar - Briga, confusão, baderna. O mesmo que "Forrobodó" e "Rebu".

Tirar água do joelho - Urinar, "mijar", fazer xixi.

Mandar brasa - Continuar, ir em frente.

Ripa na chulipa - Expressão usada para estimular algo. O mesmo que "mandar brasa".

Deus nos acuda - Expressão que designa uma situação difícil ou complicada.

Benzo a Deus ou Benzadeus - Expressão usada diante de algo inacreditável. O mesmo que "Barbaridade!" e "É Brincadeira!"
Que abacaxi! - Expressão usada diante de algo complicado pra se fazer. (O abacaxi é uma fruta chata de se descascar).

Duvi-de-o-dó - Duvidar de algo.

Papo firme - Bom para conversar, "Bom da Boca", "Papo quente". Na expressão 'Garota "papo firme"' representa bonita, charmosa.
Marcar toca - Bobear, perder uma boa oportunidade. O mesmo que "Dar mole", "Vacilar".

Do fundo do baú - Diz-se de algo antigo, velho, ultrapassado, fora de moda. O mesmo que "Do arco da velha" e "Do tempo da onça".

Papo aranha - O mesmo que "lero-lero".

Comer bola - Errar sem querer, passar desapercebido de algo importante.

Chuchu beleza! - O mesmo que: Coisa boa! Legal! Bacana!

E aí, campeão! - Tipo de saudação.

Caranga - Carro esportivo, equipado.

Caixa prego - Muito longe! Usa-se na expressão: "Você mora lá no Caixa-Prego!" Usavam-se também as expressões "Onde o Diabo perdeu as Botas", "Na Casa do Chapéu!", "Conchinchina", "Na Pequepê"

Onde fui amarrar meu bode? - Expressão usada ao se arrepender de algo feito.

Tirar o pai da forca - Expressão usada para designar alguém que está muito apressado para finalizar algo ou chegar a algum lugar. O mesmo que "Tirar a mãe da zona".

Maior brasa, mora? - O mesmo que "Show de bola, tá ligado?" nos tempos de hoje, quando se quer dizer que alguma coisa é muito boa para alguém. Expressão muito usada nos anos 60 e 70.

Nem que a vaca tussa! - Expressão usada como firme negativa, simplesmente um "Não!", usam-se também as seguintes expressões: "Nem a pau", "Necas de Pitibiriba", "Pode ir tirando o cavalinho da chuva"

Pior que bater em mãe em porta de igreja - Expressão usada para designar algo muito feio de se fazer.

Mundaréu - Muita / muito / muitas / muitos / um monte - "Eu tenho um mundaréu de coisas a fazer".

Pedra noventa - Alguém tido como "gente boa".

Firme na paçoca? - Saudação.

Sebo nas canelas - Quando manda alguém ir rápido, apressar-se.

Cão chupando manga ou mais feio que cão chupando manga - Algo ou alguém muito feio. Também pode ser utilizada para expressar a dificuldade de realizar uma tarefa: "Passar no vestibular é o cão chupando manga!".

Mais faceiro que ganso em taipa de açude - Felicidade extrema.

No pó da rabiola ou estar só o pó - Cansado, sem ânimo.

Tirinhas!











Toque de Drummond...


A linguagem
na ponta da língua,
tão fácil de falar
e de entender.
A linguagem
na superfície estrelada de letras,
sabe lá o que ela quer dizer?
Professor Carlos Góis, ele é quem sabe,
e vai desmatando
o amazonas de minha ignorância.
Figuras de gramática, equipáticas,
atropelam-me, aturdem-me, seqüestram-me.
Já esqueci a língua em que comia,
em que pedia para ir lá fora,
em que levava e dava pontapé,
a língua, breve língua entrecortada
do namoro com a prima.
O português são dois; o outro, mistério.
(Carlos Drummond de Andrade)

Reflexões Metalinguísticas


"Deus disse: Vou ajeitar a você um dom:
Vou pertencer você a uma árvore.
E pertenceu-me.
Escuto o perfume dos rios.
Sei que a voz das águas tem sotaque azul.
Sei botar cílio nos silêncios.
Para encontrar o azul eu uso pássaros.
Só não desejo cair em sensatez.
Não quero a boa razão das coisas.
Quero o feitiço das palavras.

Sentado sobre uma pedra estava o homem
desenvolvido a moscas.
Ele me disse, soberano:
Estou a jeito de uma lata, de um cabelo, de um
cadarço.
Não tenho mais nenhuma idéia sobre o mundo.
Acho um tanto obtuso ter idéias.
Prefiro vadiagem com letras.
Ao fazer vadiagem com letras posso ver quanto
é branco o silêncio do orvalho.
(Manoel de Barros)

“Escrever é uma maravilha. Seja qual for a forma, o conteúdo, o significado, o sentido, a razão, ou mesmo a falta de tudo isso e mais alguma coisa. Escrever é uma paixão, sempre latente, que se entranha pelo sangue, pela alma, para vagar até os confins do universo. Escrever é uma forma de aprender com a vida.”
(Peixão)

A Palavra Mágica

"Certa palavra dorme na sombra
de um livro raro.
Como desencanta-la?
É a senha da vida
A senha do mundo.
Vou procurá-la.
Vou procurá-la a vida inteira
no mundo todo.
Se tarda o encontro, se não a encontro,
não desanimo,
procuro sempre.
Procuro sempre, e minha procura
ficará sendo
minha palavra."
(Drummond)

Jorge Amado e os Coronéis do Cacau


 Este livro nasceu de uma monografia de especialização da escritora Maria Luiza Heine em história regional. As pesquisas históricas contidas nele, foram buscadas devido a curiosidade da escritora de saber até onde ia a ficção nos livros de Jorge Amado e onde havia história. Era notável a semelhança das pessoas com os personagens.
 "Jorge Amado e os coronéis do cacau" é uma viagem nas terras e ao povo que Jorge Amado escreveu. É uma bússola para as perguntas mais frequentes sobre o escritor baiano: onde ele viveu, o que é histórico, e personagens que realmente”existiram".                                                                                       Publicado pela editora Editus, em seu rico contexto, história e ficção se mistura para que o leque de conhecimentos se abra ao leitor.

Um pouco mais sobre "Jubiabá"

Jubiabá é um livro escrito na década de 1930 pelo escritor baiano Jorge Amado. Seguindo uma das características principais do escritor, Jubiabá tem aspectos modernistas. Este livro é um dos primeiros escritos por Jorge Amado.    
Jubiabá conta a história do negro Antônio Balduíno, descendente de escravos e nascido e criado no morro do capa-negro, um dos refúgios na periferia de Salvador onde os negros se abrigaram após a abolição da escravatura e a posterior falta de apoio político. Desde pequeno, Balduíno não se identificava com o trabalho que os negros pobres tinham de fazer para sobreviver. Identificou um paralelo bastante interessante entre o trabalhador assalariado do início do século XX e o escravo do final do século XIX.    Para fugir desta vida sem-graça, vida de escravo, sem liberdade, primeiro, quando ainda era pequeno, Balduíno foi morar nas ruas, vivendo de esmolas junto a um grupo de moleques da sua idade. Desde antes desta época Balduíno já tinha uma imensa admiração por Jubiabá, pai-de-santo do morro do capa-negro que Balduíno relacionava a um exemplo de liberdade. Jubiabá era sábio, ajudava o povo negro, e mesmo os brancos iam a sua humilde casa e se ajoelhavam em frente ao preto velho.   
 Quando ainda era pequeno, Balduíno se convenceu de que teria um ABC em seu nome. Os ABCs são livretos de histórias  heróicas, muito populares entre as classes baixas do povo baiano. Inicia a sua carreira rumo ao seu ABC como boxeur: Baldo, o negro, que vence os lutadores locais com golpes vigorosos, e chega a vencer o campeão do Rio de Janeiro. Entretanto, problemas sentimentais lhe faz perder as outras lutas, ser chamado de vendido. Balduíno fica extremamente triste resolve sair da cidade de Salvador, rumo ao interior do estado. Foge com seu amigo da embarcação, passeia pelos portos do recôncavo, aprecia a voz da mulher de seu companheiro e conta com a terna companhia de seu antigo amigo, o Gordo.    
Nas lavoura de fumo Balduíno se convence de que o trabalho do pobre é uma nova forma de escravidão. Enquanto os grandes industriais e agricultores, donos das plantações e das fazendas de fumo, consumiam champanhes caros, andavam em carros luxuosos e moravam em mansões, os trabalhadores viviam com um salário de fome, faltavam-lhes comida em casa para alimentar suas grande e jovens famílias. Apesar disso, ainda existia um pouco de felicidade naquele povo, que gostava de dançar e contar causos, duas coisas que o negro Balduíno adorava.

São Jorge dos Ilhéus


Conheça um pouco mais sobre a obra "São Jorge dos Ilhéus":

Jorge Amado considerava São Jorge dos Ilhéus (publicado em 1944) uma continuação natural de seu romance anterior, Terras do sem-fim (1942). Se este, ambientado no campo, narra a saga dos pioneiros e as guerras sangrentas pela posse da terra, aquele, tendo Ilhéus como cenário principal, fala do momento em que, pacificada, a região colhe os frutos da exportação de cacau e se moderniza.
Nesse contexto, em que os confrontos de jagunços foram substituídos pelo jogo na bolsa de valores e pelas intrigas políticas, pululam os personagens mais díspares: prostitutas, jogadores, exportadores estrangeiros, militantes comunistas, filhos de coronéis transformados em bacharéis ociosos, poetas de fim de semana, artistas de cabaré.
Durante uma alta de preços forçada astuciosamente pelos exportadores, com o intuito de ludibriar os velhos coronéis e açambarcar suas terras, a cidade de Ilhéus vive uma breve idade do ouro, com uma vida noturna vibrante, e recebe aventureiros de todos os pontos do país e até do exterior.
Jorge Amado entrelaça os destinos de uma dúzia de personagens das mais variadas extrações, narrando de modo envolvente seus dramas e suas comédias, seus sonhos, traições, vinganças.

Preconceito Linguístico


 “As pessoas que moram na roça são ignorantes, não sabem  falar.”
“Você é burro, não sabe falar certinho não?”
“Esse povo é caipira. Um bando de matutos, nem sabe falar.”  
                                  
Você já ouviu expressões como essas?
De Marcos Bagno, o célebre livro “Preconceito linguístico o que é, como se faz”, aborda a questão do preconceito às variações do português brasileiro de forma interessante. O autor derruba nessa obra os oito principais mitos sobre o idioma português , mostrando como  eles estão no cotidiano das pessoas.  O livro é dividido em  pequenos capítulos, desenvolvido em linguagem clara , o que desperta a vontade do leitor para continuar lendo a publicação.
(BAGNO, MARCOS. Preconceito linguístico o que é, como se faz. 49ª edição - Edições Loyola, São Paulo, Brasil, 1999.)

E você? Sabe o que significa preconceito linguístico?  Já presenciou  algum tipo de discriminação  com respeito à língua portuguesa? Comente.

Sinais de Pontuação - Exercício/Exemplo


Um homem rico, sem filhos, sentindo-se morrer, pediu papel e caneta e escreveu assim: “Deixo meus bens à minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a conta do mecânico nada aos pobres”. Não teve tempo de pontuar-morreu.
Eram quatro concorrentes. Chegou o sobrinho e fez estas pontuações numa cópia do bilhete: “Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho. Jamais será paga a conta do mecânico. Nada aos pobres.”
Apareceu o mecânico, pediu uma cópia do original e fez estas pontuações: “Deixo meus bens a minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do mecânico. Nada aos pobres.”
Um juiz estudava o caso quando chegaram os pobres da cidade. Um deles mais sabido, tomou outra cópia do testamento e pontuou desse modo: “Deixo meus bens a minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do mecânico? Nada!  Aos pobres!.”
(Adaptado de: Amaro Ventura e Roberto Augusto Soares Leite. Comunicação/Expressão em língua nacional. 5ª série. SãoPaulo:Nacional,1973.p.84)

E você, como pontuaria  este texto? Quem você beneficiaria?

"A (NÃO) PRESENÇA NEGRA NA OBRA TOCAIA GRANDE, DE JORGE AMADO." (Revista Kàwé)


(Editora da UESC
ISSN 2175-5140
REVISTA DO NÚCELO DE ESTUDOS AFRO-BAIANO REGIONAIS DA UESC
ILHÉUS N4- 2011 
Referencia ao texto de Marcelo da Silva Bispo) 

“Representante da Região Sul baiana no regionalismo que marca a literatura brasileira nos anos de 1930 e nos seguintes, Jorge Amado conseguiu através de seus romances tornar conhecidas as histórias do cacau. Filho de fazendeiro, co-partícipe das aventuras e labutas dos trabalhadores rurais, o autor conseguiu levar para seus romances parte os fatos ocorridos nesse chão fértil e acolhedor.” 
Marcelo da Silva Bispo – A (NÃO) PRESENÇA NEGRA NA OBRA TOCAIA GRANDE, DE JORGE AMADO. 
Diante da comemoração dos “100 Anos de Jorge Amado”, suas obras conhecidas mundialmente estão ainda mais em evidência. A ideia que o Brasil e até mesmo o mundo tem da Região do Sul da Bahia é originalmente fruto dos romances do escritor grapiunense, o que acarreta em grande responsabilidade. 
O escritor Marcelo da Silva Bispo (e também discente do curso de Especialização em Estudos Comparados em Literatura de Língua Portuguesa (ECLIP), do Departamento de Letras e Artes – DLA, da Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC.) nos revela preconceitos presentes na Obra Tocaia Grande de Jorge Amado.
Fazendo parte do Coronelismo regional, Jorge Amado expressa preconceitos diante da figura negra embora não tenha esse objetivo inicial. O próprio Amado se compromete à revelar uma parte oculta da História, mas não o faz. As vozes negras são silenciadas, e seus personagens masculinos são ex-escravos fugidos dos engenhos, e feminino são mulheres que tem a prostituição como meio de sobrevivência. “A presença negra está relacionada com a exploração sexual e seus representantes são tratados como objetos utilizados para a satisfação dos que se apresentam em posições mais elevadas na sociedade.”
      Trazendo negatividade na construção da imagem do negro, Jorge Amado acaba por provocar no imaginário europeu ideias arraigadas sobre a raça negra, como meros corpos que servem exclusivamente pra servir enquanto escravos no trabalho e pra satisfação sexual. 

Curiosidades Jorge Amado


Jorge Amado de Faria nasceu no dia 10 de agosto de 1912 e faleceu em Salvador, aos 88 anos, vítima de parada cardiorrespiratória, no dia 06 de agosto de 2001. Deixou um legado de muitas obras poéticas, com: O País do Carnaval, Cacau, Jubiabá, Terras do Sem fim, A Morte e a Morte de Quincas Berro d´Água, Seara Vermelha, O Cavaleiro da Esperança, O Mundo da Paz, Os Subterrâneos da Liberdade, Gabriela, Cravo e Canela, Suor, Mar Morto, Capitães de Areia, São Jorge dos Ilhéus, Os Velhos Marinheiros, Os Pastores da Noite, Dona Flor e seus Dois Maridos, ABC de Castro Alves, O Amor do Soldado, Bahia de Todos os Santos, A Estrada do Mar, Tereza Batista Cansada de Guerra, Tieta do Agreste, Farda Fardão e Camisola de Dormir.
 As obras de Jorge Amado tiveram e tem grande repercussão. Você sabia que os nomes dos principais pontos turísticos de Ilhéus como o Vesúvio e o Bataclã foram inspirados na obra Gabriela, cravo e canela de Jorge Amado.

Ele foi o escritor brasileiro mais traduzido e conhecido no exterior. Suas obras começaram a ser traduzidas na década de 1930 e já chegara a mais de 50 idiomas. O escritor estudou Ciências Jurídicas e Sociais na Faculdade Nacional de Direito, no Rio de Janeiro, no entanto, nunca exerceu a advocacia.
 Seu livro Cacau (1933) foi apreendido pela polícia política de Getúlio Vargas. Isso só fez com que a obra ganhasse mais destaque. Quando foi preso, na década de 1940, ficou na mesma cela que o historiador Caio Prado Jr. (1907-1990). Era a mesma onde o escritor Monteiro Lobato já havia estado. 
 Foi eleito deputado federal pelo Partido Comunista Brasileiro em 1945, mas perdeu o mandato três anos depois, quando seu partido entrou para a ilegalidade. Com isso, foi para o exterior. Viveu no exílio na Argentina e no Uruguai (1941-42), em Paris (1948-50) e em Praga (1951-52). 

A linguagem e os “termos” de Jorge Amado


Jorge Amado possui uma forma única e bem simples de escrever histórias cheias de emoção e fatos que desenlaçam belas narrativas.
          Com sua forma picante de por no papel certas palavras, Jorge Amado consegue entreter diversas faixa etárias (adolescentes, adultos, idosos, etc.), mas nem sempre. Pessoas foram entrevistadas e em sua grande maioria podemos observar leitores satisfeitos com o que leram e que se identificaram com este grande escritor baiano devido aspectos da linguagem da sua região bastante utilizada em seus livros e em sua maneira de escrever. Fazia uso de uma linguagem simples que continha arranjos leves e soltos para as seus leitores. No entanto, muitas outras não se identificaram com sua maneira de escrever por ensejo de alguns romances com cenas bastante quentes que contem cenas de sexo, amor e violência descritas numa linguagem popular, que inclui gírias e palavrões, além de muitos não aceitarem sua religião que era o candomblé.
          Não se preocupando com grandes floreios e enriquecimentos textuais (dando mais prioridade a parte dos fatos, pois eles sim são ricos), Jorge Amado fascina seus fãs e não deixa a desejar em nem um quesito quando se trata de seus livros literários. Jorge Amado fez muito sucesso com suas obras que eram feitas sobre a época dos coronéis, ele foi um grande criador de romances ficcionais e o mais interessante é que muitas vezes seus personagens eram tirados de pessoas da vida real, apimentando sua história um pouco ou mudando seu nome apenas, ele foi tão famoso que muitos de seus livros eram traduzidos para outras línguas.
             Histórias de Jorge Amado tratam de assuntos universais, amor e família. O que as diferenciam são as gírias regionais, que conferem um caráter verossímil à história.
Exemplos clássicos de termos linguísticos criados são :
- Manihot esculenta, conhecido por mandioca, aipim e macaxeira;
- Prostituta pode ser quenga, messalina, chinoca. As gírias regionais são utilizadas por políticos em campanha para parecerem próximos dos eleitores. Aparentado viver na mesma realidade com a falsa impressão que ambos pertencem a um mesmo mundo. Quando palavras são criadas, todo um mundo se cria junto com elas e desse mundo só faz parte quem é capaz de entender o significado delas.

Principais Personagens de Jorge Amado


Foi viajando pelo interior da região Nordeste e, sobretudo da Bahia que Jorge Amado criou personagens masculinos que ficaram para sempre na memória e na literatura como Antonio Balduíno, Vadinho, Pedro Arcanjo e Quincas Berro D'água. Personagens saídos do povo e apreendidos pela ficção realista do escritor, através da caricaturagem de tipos folclóricos como o malandro, o espertalhão, o honesto, o imbecil, o preguiçoso, o sedutor, o mulherengo, o jogador, o moralista.
Foi observando as negras e mulatas do terreiro de Menininha do Gantois, em Salvador; as prostitutas do Largo do Pelourinho; as lavadeiras das calçadas do Senhor do Bonfim ou as jovens burguesas descendentes direitas dos coronéis do cacau da região de Santo Amaro, Ilhéus e Itabuna que Jorge Amado criou uma galeria de tipos femininos inesquecíveis que mistura força, coragem, sensualidade, sabedoria, beleza e poder.
Gabriela (Cravo e Canela), Tieta (a do Agreste), Dona Flor (e os seus dois maridos), Teresa Batista (cansada de guerra), Adalgisa (quadris afro) e Manela (a de Yansã). Mulheres fogosas, queimadas de sol, ancas cheias, sorriso farto, lábios sensuais. Em cada uma delas, o escritor expressa uma faceta da mulher nordestina e uma moral diferente, conforme a própria vida lhe ensina: o sofrimento da sobrevivência, a dupla jornada de trabalho, o desrespeito dos homens, o cuidado estremado com os filhos, a vontade de viver e de amar, a leveza e a liberdade com que se entregam ao prazer da carne.

Tereza Batista Cansada da Guerra - Resenha


No sertão de Sergipe, perto da fronteira com a Bahia, aos treze anos incompletos a órfã Tereza Batista é vendida pela tia a um fazendeiro pedófilo e brutal. Depois de estuprá-la, ele a mantém cativa em sua propriedade. Amadurecida precocemente, e do modo mais doloroso, a menina se tornará uma mulher valente e decidida. Tereza Batista é sem dúvida uma das mais fascinantes heroínas de Jorge Amado, talvez a mais completa e complexa, que reúne os atributos de todas as outras: a valentia de Rosa Palmeirão, a sensualidade de Gabriela, a doçura de dona Flor, a altivez de Tieta.

As peripécias dessa heroína que "tinha aversão a badernas", que "não tolerava ver homem bater em mulher" são contadas por várias vozes. Um funcionário público, um pai-de-santo, a célebre ialorixá Mãe Senhora e até o poeta Castro Alves, retornado do mundo dos mortos, ajudam a relembrar e exaltar os feitos da protagonista. Um dos mais notáveis deles - ter comandado as meretrizes de uma cidade no combate a uma epidemia - é narrado à maneira de um romance de cordel, no capítulo "ABC da peleja entre Tereza Batista e a bexiga negra". Em outro episódio, ela lidera uma greve de prostitutas em Salvador. Em um terceiro, nocauteia um homem num cabaré de Aracaju depois de vê-lo bater na amante.

Escrito em 1972, quando Jorge Amado tinha sessenta anos, Tereza Batista cansada de guerra atesta a maestria desenvolvida pelo escritor baiano ao longo de quatro décadas de literatura. No conjunto de seus romances, destaca-se como um dos mais vigorosos do ponto de vista político - fato ainda mais notável por ter surgido no auge da ditadura militar - e um dos mais ousados no terreno do erotismo.
Além do depoimento de Lygia Fagundes Telles, a nova edição traz uma cronologia e imagens históricas da vida de Jorge Amado e das edições anteriores do livro.

Cacau - Resenha


"Cacau" é narrado em primeira pessoa por um lavrador, filho de industrial decaído, que trabalhara brevemente como operário fabril. O pequeno romance é a saga de uma tomada de consciência social e política. Atesta o clima de polarização ideológica da época em que foi escrito no ano de 1933  o entusiasmo revolucionário de seu jovem autor. Cacau inaugura também um dos veios mais ricos da literatura de Jorge Amado, o dos livros dedicados à rica e sangrenta história da Região Cacaueira da Bahia,imortalizada em obras como Terras do sem-fim; São Jorge dos Ilhéus; Gabriela, cravo e canela e Tocaia Grande.Neste apaixonado livro de juventude, com um vigor e uma urgência que o tornam encantador, encontramos alguns dos méritos mais louvados do autor, como apurado ouvido para a fala popular; o trânsito pelos vários registros do discurso, do mais formal ao mais coloquial; o caloroso afeto por suas criaturas.Livro de denúncia e esperança, anuncia o grande romancista que conquistaria os leitores do Brasil e do mundo nas décadas seguintes.

Dona Flor e Seus Dois Maridos - Resenha

 Dona Flor e seus dois maridos (1967), permanece um romance atual e lido com prazer, pois reúne dois dos temas caros ao leitor: a boa mesa e a boa cama. Florípedes, a D. Flor do título, professora de culinária da escola Sabor & Arte (que se transforma malandramente no trocadilho saborear-te) perde seu marido Vadinho, malandro incorrigível, em pleno domingo de Carnaval. De luto fechado, recorda os altos e baixos desse relacionamento - que o leitor vai conhecendo em feedback. Mas, como ainda é jovem e bonita, desperta a atenção do corretíssimo farmacêutico Teodoro, com quem se casa. As diferenças entre os maridos são gritantes: se com Vadinho tudo era "louca vadiação", com Teodoro o sexo é regular e bem comportado; se com Vadinho o que sentia era emoção e insegurança, com Teodoro a solidez traz uma ponta melancólica de tédio. Até que o fantasma de Vadinho se intromete na cama de DonaFlor e de Teodoro. Fantasia, saudades, o romance não parece procurar respostas excludentes. Ao contrário, D. Flor é um livro que resolve, ou dissolve o impasse do triângulo amoroso na possibilidade ambígua e inclusiva de dois amores para a desmedida do desejo humano. Numa leitura mais sociológica, a história de DonaFlor aponta para o caráter complexo e contraditório da cultura nacional. Assim surge das páginas de Jorge Amado um Brasil rico em aspectos divergentes: país da abundância (as receitas baianas são um atrativo à parte) e da falta (a população pobre das ruas da Bahia), do erotismo desataviado, mas também do preconceito e da hipocrisia, país da cordialidade e da crueldade, da ordem e da desordem. 

Gabriela - Resenha

Título original: Gabriela, cravo e canela
Autor: Jorge Amado
Ano de publicação: 1958

Gabriela, Cravo e Canela é um romance escrito por Jorge amado e publicado no ano de 1958.A história se passa na cidade de Ilhéus, na década de 20 onde os coronéis, jagunços, prostitutas e as senhoras delineiam a ambiciosa sociedade cacaueira.
 A obra descreve principalmente o romance entre Gabriela, uma retirante ingênua e sedutora que veio para Ilhéus em busca de melhores condições de vida, e o comerciante sírio Nacib. Gabriela assume a cozinha do bar deste e não só conquista seu coração  como também seduz um grande número de homens ilheenses.
  O Vesúvio, nome dado ao bar do sírio, ferve por conta do tempero e da presença inebriante de Gabriela. Apaixonado, o ciumento Nacib decide se casar com ela e com isso a sertaneja passa a ter obrigações que não combinam com seu espírito livre e rústico. Nacib a flagra na cama com Tonico Bastos, um coronel da cidade, e manda anular o casamento mas algum tempo depois Gabriela volta a ser sua cozinheira e a frequentar sua cama. A história assume outras vertentes, ao descrever fatos da vida de personagens como Malvina, Josué, a ferrenha competição entre Ramiro Bastos e Mundinho Falcão que tem como objetivo trazer o progresso a Ilhéus, as meninas do cabaré Bataclã, porém o foco principal é em Nacib e Gabriela. O eixo da história é a relação delicada e complexa entre as transformações materiais e as ideias morais da época em que há luta pela modernização material e cultural de Ilhéus. É Gabriela quem personifica as transformações de uma sociedade patriarcal, arcaica e autoritária, convulsionada pelos sopros de renovação cultural, política e econômica


Como a maioria dos telespectadores sabem, a obra de Jorge Amado Gabriela, cravo e canela foi readaptada e está sendo exibida pela Rede globo de televisão de terça a sexta-feira. Apesar do brilhante papel dos atores, alguns interpretam erroneamente o sotaque baiano. Comenta-se também que a direção pecou em privilegiar a estética, em se esforçar para mostrar o quanto a personagem-título é sensual e brejeira, deixando de lado um mergulho mais profundo nas emoções provocadas pela precariedades da época, além de enriquecer o Bataclã indo contra ao que se sabe sobre as condições de vida daquele tempo. E você, o que acha disso ? Deixe aqui sua opinião sobre a novela.