quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Ser Professora de Português

01 - Professora de português não nasce; deriva-se.
02 - Professora de português não cresce; vive gradações.
03 - Professora de português não se movimenta; flexiona-se.
04 - Professora de português não é filha de mãe solteira; resulta de uma derivação imprópria.
05 - Professora de português não tem família; tem parênteses.
06 - Professora de português não envelhece; sofre anacronismo.
07 - Professora de português não vê tv; analisa o enredo de uma novela.
08 - Professora de português não tem dor aguda; tem crônica.
09 - Professora de português não anda; transita.
10 - Professora de português não conversa; produz texto oral.
11 - Professora de português não fala palavrão; profere verbos defectivos.
12 - Professora de português não se corta; faz hiato.
13 - Professora de português não grita; usa vocativos.
14 - Professora de português não dramatiza; declama com emotividade.
15 - Professora de português não se opõe; tem problemas de concordância.
16 - Professora de português não discute; recorre a proposições adversativas.
17 - Professora de português não exagera; usa hipérboles.
18 - Professora de português não compra supérfluos; possui termos acessórios.
19 - Professora de português não fofoca; pratica discurso indireto.
20 - Professora de português não é frágil; é átona.
21 - Professora de português não fala demais; usa pleonasmos.
22 - Professora de português não se apaixona; cria coesão contextual.
23 - Professora de português não tem casos de amor; faz romances.
24 - Professora de português não se casa; conjuga-se.
25 - Professora de português não depende de ninguém; relaciona-se a períodos por subordinação.
26 - Professora de português não tem filhos; gera cognatos.
27 - Professora de português não tem passado; tem pretérito mais-que-perfeito.
28 - Professora de português não rompe um relacionamento; abrevia-o.
29 - Professora de português não foge a regras; vale-se de exceções.
30 - Professora de português não é autoritária; possui voz ativa.
31 - Professora de português não é exigente; adota a norma padrão.
32 - Professora de português não erra; recorre a licença poética.

Entrevista Professora Patrícia Argolo



O Eletracidade realizou uma entrevista muito interessante com a Professora Patrícia Argôlo. 

Patrícia Argôlo possui graduação em Letras pela Universidade Estadual de Santa Cruz (1990), especialização em Língua Inglesa pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (1995), especialização em Cenários e Perspectivas do Rádio e Televisão na Era Telemática (1998), e mestrado em Master of Arts in TESOL pela New Mexico State University/ USA (2001). Atualmente é professora assistente da Universidade Estadual de Santa Cruz. Tem experiência na área de Letras e Línguas Estrangeiras Aplicadas às Negociações Internacionais, atuando principalmente nos seguintes temas: Língua Inglesa, Inglês para Fins Específicos (profissionais do turismo), Seleção Pública e Vestibular.

Eletracidade:  A senhora formou em Letras, em que ano?
 Patrícia Argôlo: 1990.
Eletracidade:   Fale um pouco sobre a sua carreira, os cursos que fez, a área de estudos a que se dedica...
           Após a minha formatura em maio de 1990, eu tive a oportunidade de viajar para a Inglaterra. Morei dois anos em Oxford/Inglaterra. Estudei Inglês em duas escolas para estrangeiros, a saber: Anglo World e Oxford College of further Education. Eu, também, tive a oportunidade de estudar com uma tutora. Quando retornei da Inglaterra, em outubro de1992, eu fui convidada a lecionar na UESC.
           Em 1995 fiz a minha primeira especialização: Especialização em Língua Inglesa pela PUC de Minas Gerais.
           Em 1998 fiz minha segunda especialização em rádio e TV: Cenários e Perspectivas do Rádio e Televisão na Era Telemática na UESC.
           Em 1999 fiz o mestrado em Master of Arts inTESOL pela New Mexico State University – NMSU/EUA
           Meus estudos se concentram em 2 áreas, a saber:Inglês para Fins Específicos  ( English for Specific Purpose – ESP) e Formação de Professor.
Eletracidade: Como foi tornar-se professora do Curso de Letras, isto é a transição entre ser aluna do curso e tornar-se uma profissional?
 Patrícia Argôlo: Eu sempre comento com meus alunos sobre a importância do Estágio Supervisionado. O Estágio foi importantíssimo para a transição aluna-professora. A minha experiência no estágio foi muito gratificante. Essa experiência positiva contribuiu para a minha decisão de aceitar o convite de trabalhar como professora. Tornar-se professor é desafiador. Primeiramente, você precisa querer Ser professor, pois o querer faz você trabalhar em prol do objetivo que se quer alcançar; Segundo, você precisa acreditar no seu potencial e acreditar que nada é impossível quando existe dedicação, persistência e força de vontade. Eu queria Ser professora e acreditava que podia fazer algo tão importante que é lecionar. Acredito que quando lecionamos nós ajudamos a transformar as vidas dos nossos alunos.
 Eletracidade: Que comparações a senhora faz do perfil do estudante de Letras do seu tempo e do de hoje?
  Patrícia Argôlo: Acredito que independentemente da época, nós vamos encontrar o aluno que escolhe o Curso de Letras como primeira opção, e, consequentemente, se dedica, estuda mais, pois está motivado. Em contrapartida, encontramos, também, o aluno que não sabe ao certo o que pretende estudar, e/ou não se encontra no curso, com isso, facilmente se desmotiva. Geralmente este aluno fica na angústia de saber o que realmente quer fazer. Com isso, observa-se um aluno que faz uma licenciatura, mas não quer ensinar.
Eletracidade: Quais as principais recordações que a senhora tem do funcionamento do curso, dos colegas e dos professores?
  Patrícia Argôlo: Recordo com muito carinho do tempo que estudei. Fiz o curso que queria. Eu tive a oportunidade de estudar com Professores, ou melhor, dizer: MESTRES competentes, responsáveis e dedicados. Exemplos que procuro seguir todas as vezes que entro em uma sala de aula.

Eletracidade: Relembre um pouco das principais conquistas operadas no Curso de Letras na época.
  Patrícia Argôlo: A principal conquista foi a estadualização. Passamos de Federação de Escolas (FESPI) para Universidade (UESC). Isso significou grandes avanços e novas perspectivas para o Curso de Letras.
Eletracidade: Como era a pesquisa e a extensão no Curso de Letras?
 Patrícia Argôlo: Eu fiz a minha graduação na antiga FESPI – Federação das Escolas Superiores de Ilhéus e Itabuna. Lembro-me que como Federação não existia o incremento de  aporte de recursos que temos hoje nas áreas de extensão e pesquisa. Por exemplo, as monitorias, grupos de estudo e participação em ações de pesquisa, como as desenvolvidas pela professora Tica Simões, eram feitas voluntariamente.
Eletracidade: Como era o ensino/aprendizagem de língua estrangeira no Curso?
Patrícia Argôlo: Quanto ao ensino de Língua Inglesa, lembro que estudávamos segundo teorias de cunho estruturalista. Quanto à aprendizagem, observo que na minha época de estudante não existia o acesso à informação como existe hoje. Não existia o computador, nem a Internet. Os cursos particulares de Línguas Estrangeiras eram caros. Não existiam programas de intercâmbio. Não existia o Projeto do Governo Federal de Internacionalização das universidades. Hoje, o aluno de Letras só não aprende a Língua Estrangeira se ele (a), realmente, não quiser, pois a Internet disponibiliza diversos cursos com áudio e contato com nativos da língua alvo. A universidade, através do Curso de Letras e seus projetos de extensão e do Fullbright, oferece cursos com profissionais competentes e nativos da língua alvo.    

Eletracidade: Qual era a relação entre o corpo discente e docente da época?
Patrícia Argôlo: De muito respeito e admiração.

Eletracidade: Qual a importância do Curso de Letras para a nossa região e as perspectivas que ele assume?
Patrícia Argôlo: Segundo informações da Página do Departamento de Letras e Artes da UESC ,
“... O Curso de Letras forma professores para o ensino básico e para o ensino superior, tornando-os aptos a lecionar disciplinas constantes na sua grade curricular. Pela sua formação, esses profissionais poderão atuar também como tradutores, intérpretes, guias turísticos e revisores.”
Em outras palavras, o Curso de Letras é responsável pelos
-Profissionais que atuarão no Ensino Básico e Superior da nossa Região;
-Profissionais competentes que, por sua vez, irão contribuir para a formação de cidadãos pensantes e críticos;
-Profissionais que possam contribuir para o desenvolvimento da Região.